Ações explicadas · Energisa (ENGI11) · dados de 28 de agosto de 2026

Energisa (ENGI11) vale a pena?

semana+8,7%
1 mês-1,0%
3 meses+0,1%

A Energisa vende mais energia e fatura mais, mas terminou o último trimestre no prejuízo porque as dívidas cresceram e os juros consomem todo o lucro da operação. O balanço oficial mostra uma empresa andando de lado.

O que a Energisa faz

A Energisa é uma das maiores distribuidoras de energia elétrica do Brasil — é ela que leva luz para casas e empresas em 11 estados, principalmente no Centro-Oeste, Norte e Nordeste.

A leitura da IA

O preço

A ação vale R$ 47,50 e anda de lado nos últimos meses. Em 3 meses ficou praticamente parada (variação de 0,1%). Está 17,5% abaixo do maior preço do último ano e 8,8% acima do menor. Ou seja: mais perto do fundo do que do topo dos últimos 12 meses.

Os fundamentos

A operação cresce: a receita subiu 7,9% ano contra ano. Mas o resultado final travou. A empresa fechou o trimestre com prejuízo de R$ 40 milhões, porque deve R$ 33,23 bilhões e os juros dessa dívida engoliram todo o lucro operacional. O retorno sobre o capital dos donos é baixo (ROE 7,8%) e o dividendo é modesto (paga 2,4% ao ano).

As notícias

As notícias têm tom negativo. O lucro do 4T25 já caía 54% ante 2024, e a ação recuou 5% após o balanço do 2T. A empresa vendeu cinco transmissoras para a Taesa por R$ 1,64 bilhão, o que pode aliviar a dívida com o tempo, mas reduz ativos que geram caixa. O peso dos juros é o tema recorrente.

Os números que importam

Indicadores de Energisa (ENGI11), com o que cada um significa
IndicadorValorO que significa
Preço da açãoR$ 47,50quanto custa um "pedacinho" da empresa hoje
Dividendos (12 meses)2,4%o "aluguel" pago aos sócios no último ano, em % do preço da ação
P/L15,77quantos anos do lucro atual "pagariam" o preço da ação — régua de caro/barato, não garantia
Volatilidade30,3% a.a.o quanto o preço costuma balançar — maior = mais sobe-e-desce no caminho

Pontos fortes e riscos

Pontos fortes
  • Operação cresce de forma consistente: receita subiu 7,9% contra o mesmo trimestre do ano anterior, chegando a R$9,24 bilhões
  • Geração de caixa forte: o lucro antes de juros e depreciação (EBITDA) subiu 22,9% na série e representa 24,9% da receita
  • Setor de distribuição de energia é regulado e defensivo, com receita mais previsível
Pontos fracos
  • Fechou o último trimestre no prejuízo: perda de R$40 milhões, contra lucro no início da série (queda de 105,5%)
  • Endividamento pesado e crescente: dívida líquida de R$33,23 bilhões, com alavancagem subindo de 3,0x para 3,72x
  • Juros da dívida consomem mais do que todo o lucro da operação (158,5%), sem caixa líquido para folga
  • Retorno sobre o capital dos donos é baixo (ROE 7,8%) e o dividendo é modesto (paga 2,4% ao ano, DY)
Oportunidades
  • Venda de cinco transmissoras para a Taesa por R$1,64 bilhão pode aliviar a dívida ao longo do tempo
  • Queda dos juros futuros (taxa pré recuou para 14,31%) reduz o custo da dívida de empresas alavancadas como esta
  • Volume maior de energia vendida sustenta o crescimento da receita
Riscos no radar
  • Juros ainda muito altos no Brasil pressionam diretamente uma empresa tão endividada
  • A própria venda de transmissoras já derrubou o resultado do trimestre e reduz ativos geradores de caixa
  • Se a alavancagem continuar subindo, o resultado final pode seguir travado mesmo com operação boa

A ação está cara ou barata?

O mercado paga cerca de 15,8 vezes o lucro anual (P/L 15,77) e 1,23 vez o valor patrimonial (P/VP), o que não é barato para um retorno modesto (ROE 7,8%) e um dividendo pequeno (2,4% ao ano). Os múltiplos precificam mais a estabilidade regulada do setor do que um crescimento de lucro — que hoje está negativo.

Por que mexeu nos 5 pregões até 28/08

+8,7% em 5 pregões. Na semana a ação subiu 8,7%. O noticiário do dossiê é mais negativo (prejuízo e queda após balanço), então esse movimento de curto prazo não tem uma causa óbvia nas manchetes — é oscilação normal do papel, possivelmente ligada à expectativa de queda dos juros futuros.

O que saiu na imprensa

Perguntas comuns sobre ENGI11

A Energisa (ENGI11) paga bons dividendos?

Segundo o dossiê, a Energisa paga 2,4% ao ano em dividendos (DY), a parte do lucro distribuída aos sócios. É um valor modesto, e a empresa fechou o último trimestre no prejuízo, o que pode limitar distribuições. Cada investidor precisa avaliar se isso atende aos seus objetivos.

Por que a Energisa (ENGI11) teve prejuízo mesmo faturando mais?

A receita cresceu, mas a empresa está muito endividada: deve R$ 33,23 bilhões. Os juros dessa dívida consumiram 158,5% do lucro da operação, ou seja, mais do que ela ganhou operando. Por isso o resultado final ficou negativo mesmo com a operação indo bem.

O que significa a Energisa (ENGI11) ter vendido transmissoras para a Taesa?

A Energisa vendeu cinco linhas de transmissão para a Taesa por R$ 1,64 bilhão. O dinheiro pode ajudar a reduzir a dívida ao longo do tempo. Por outro lado, ela deixa de ter esses ativos, que geravam caixa — por isso a venda também pesou no resultado do trimestre.

A ENGI11 é uma ação de setor estável?

A distribuição de energia é um setor regulado e defensivo, com receita mais previsível que a média do mercado. Isso costuma dar estabilidade. No caso da Energisa, porém, o alto endividamento adiciona risco que não vem da operação em si, mas do peso dos juros.

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