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15 anos de opções da B3, medidos

Quase tudo que se ensina sobre opções no Brasil vem de estudo feito com dados americanos. Nós medimos aqui, no mercado brasileiro, com o histórico real da B3 — e três coisas não se confirmaram.

Publicado em 27/07/2026 · InvestSimples · dados de janeiro/2011 a julho/2026 · metodologia no fim da página

Prêmio de volatilidade
0,5 pt
contra 3 a 4 pontos nos índices americanos
Venda coberta: meses positivos
79%
e ainda assim destrói retorno no fim
Venda coberta: retorno ao ano
−3,6%
intervalo de confiança de 95%: −8,6% a −1,0%
Retorno da bolsa
5%
dos meses carregam o retorno composto inteiro

Base de dados: 6,2 milhões de linhas de opções da B3 (arquivos COTAHIST oficiais), 14 ativos com opção líquida, 1.927 ciclos mensais de vencimento entre 2011 e 2026. Cada prêmio é o preço do lado em que a ordem realmente executa — compra paga a oferta de venda, venda recebe a oferta de compra —, com custo de corretagem e emolumento incluídos.

Qual é o prêmio de volatilidade da bolsa brasileira?

O prêmio de volatilidade da B3 é de aproximadamente 0,5 ponto percentual — a volatilidade implícita cobrada nas opções (34,0% ao ano, em média) supera a volatilidade que de fato aconteceu (33,5%) em apenas meio ponto. Nos índices americanos, esse mesmo prêmio é de 3 a 4 pontos, e é o que sustenta a indústria de venda de volatilidade lá.

Meio ponto não paga o pedágio: o spread entre oferta de compra e de venda numa opção da B3 custa entre 20% e 37% do prêmio. Ou seja, a vantagem teórica de vender volatilidade no Brasil é menor que o custo de entrar e sair da posição.

Prêmio de volatilidade por ativo — volatilidade implícita na entrada menos a realizada até o vencimento
AtivoCiclosImplícitaRealizadaPrêmio
BOVA11 (índice)15322,2%20,9%+1,4 pt
ABEV315025,6%23,8%+1,9 pt
WEGE39731,2%29,6%+1,6 pt
PETR418438,6%37,7%+0,8 pt
VALE310931,7%31,4%+0,3 pt
BBAS318333,1%33,6%−0,5 pt
PRIO37143,2%44,7%−1,5 pt
Todos1.88734,0%33,5%+0,5 pt

Um detalhe coerente com a teoria: o prêmio é maior no índice (BOVA11, +1,4 pt) que na média das ações individuais. Quem vende opção de índice vende também o risco de tudo cair junto — o prêmio de risco de correlação — e isso tem preço. Em ação isolada, esse componente não existe.

A venda coberta compensa na B3?

Não, e a medição é conclusiva: vender uma opção de compra 5% acima do preço, todo mês, sobre uma ação que você já tem, ganha em 79% dos meses e ainda assim reduz o retorno anual em 3,6 pontos percentuais. O intervalo de confiança de 95% vai de −8,6% a −1,0% — não cruza o zero, o que torna o resultado estatisticamente sólido, e não uma impressão.

A explicação está na distribuição dos ganhos. Nos 8 primeiros decis de retorno da ação, a venda coberta soma um pouco todo mês. No último decil — quando a ação sobe forte — ela entrega a alta inteira:

Resultado da opção vendida por decil de retorno da ação, em % do preço da ação
DecilRetorno da açãoPrêmio recebidoPago à opçãoSaldo
1º (piores)−14,9%1,65%0,00%+1,65%
−0,4%0,89%0,28%+0,61%
+5,0%1,09%0,40%+0,69%
+7,8%1,14%2,71%−1,57%
10º (melhores)+16,7%1,78%12,09%−10,31%

É a assinatura de quem vende seguro: ganha pouco quase sempre, perde muito raramente. O problema é que, na bolsa, o "raramente" é onde mora o retorno.

De onde vem o retorno da bolsa?

Dos meses excepcionais, e de quase mais nada. Nos 1.927 ciclos medidos, os 5% melhores meses carregam mais que o retorno composto inteiro — sem eles, os outros 95% dos meses acumulam prejuízo. Um mês acima de +10% acontece em 9% dos ciclos; acima de +20%, em 2%.

Isso muda o critério de julgamento de qualquer estratégia. Uma regra que corta os melhores meses em troca de estabilidade não está "reduzindo risco" — está removendo a fonte do retorno. É por isso que a venda coberta piora quanto mais tempo você a usa: em janelas de 3 anos ela supera o simples comprar-e-segurar em 42% dos casos; em janelas de 7 anos, em apenas 20%.

Por que 79% de acerto termina em prejuízo?

Porque riqueza reinvestida não cresce à média dos retornos — cresce à média geométrica, que pune a variação. Duas posições medidas nos mesmos 15 anos deixam isso visível: elas têm resultado médio praticamente idêntico e efeito oposto no bolso.

PosiçãoResultado médio/mêsMeses positivosEfeito no retorno anual
Opção de venda 10% abaixo, vendida−0,045%91%−5,40%
Opção de venda 2% abaixo, comprada−0,039%27%+2,08%

Mesmo custo médio, quase 8 pontos de diferença no resultado final. O que separa as duas não é quanto custam, é quando pagam: vender opção recebe o prêmio quando o capital já está alto e paga a conta quando ele está comprimido. Comprar proteção faz o inverso — perde um pouco quase sempre e devolve dinheiro justamente no mês em que cada real vale mais para recompor a posição.

Das 20 posições diferentes que testamos, todas as dez vendidas reduzem o retorno composto. Não houve uma única exceção.

Existe estratégia com opções que bata comprar e segurar?

Não que sobreviva ao teste honesto. Em vez de tentar estruturas por tentativa e erro, resolvemos o problema matematicamente: encontrar a combinação de posições que maximiza o crescimento composto é um problema convexo, com solução única e exata.

Rodamos esse otimizador de duas formas. Primeiro com o gabarito na mão — otimizando sobre os 15 anos inteiros e medindo o resultado nos mesmos 15 anos. Depois de forma honesta: aprendendo apenas com o passado disponível em cada momento e operando os 12 meses seguintes, reotimizando a cada ano.

Forma de testarAtivos em que supera o comprar-e-segurar
Otimizando com o resultado já conhecido14 de 14
Otimizando só com o passado (teste honesto)1 de 13

A distância entre essas duas linhas é o resultado mais importante desta pesquisa. Com o gabarito, o otimizador acha receitas espetaculares — e contraditórias entre si: para uma ação ele quer comprar proteção, para outra quer vender. Não é uma lei sendo descoberta; é ruído sendo decorado. Quando se aumenta a exigência estatística até o resultado estabilizar, o otimizador converge para "fique com a ação e não faça nada".

A leitura prática: todo backtest de estratégia com opções que mostra vitória em quase todos os ativos foi, muito provavelmente, ajustado ao passado. É o teste mais fácil de fazer errado e o mais difícil de fazer certo — e a diferença entre os dois, aqui, foi de 14 em 14 para 1 em 13.

E o collar apertado, que parece renda fixa?

Montar uma proteção logo abaixo do preço e vender uma opção de compra logo acima trava o resultado do mês numa faixa estreita — algo como −0,1% a +1,9%. O ativo deixa de importar: virou renda fixa sintética. Então o parâmetro de comparação passa a ser o CDI, e não a bolsa. Nessa régua, a estrutura rendeu 0,75 ponto percentual a menos que o CDI por ciclo — cerca de 16% ao ano, e ganhou do CDI em apenas 39% dos meses.

Testamos 25 combinações de distância de strike: todas perdem do CDI, entre −11,6% e −18,4% ao ano. A perda se decompõe em duas partes que valem separar: cerca de 6,8 pontos vêm do spread pago nas duas pernas todo mês, e cerca de 9,2 pontos vêm da assimetria de preço entre elas — a proteção comprada custa mais caro, em volatilidade, do que a opção vendida rende. Trocar de ativo a cada exercício não resolve: entre oito regras de troca testadas, sortear o ativo aleatoriamente ficou melhor que cinco das sete regras "inteligentes".

Metodologia

Limitações

Como citar e verificar

Os dados e o código estão no repositório do projeto (estudo_universal.js e estudo_collar_rotativo.js), e qualquer número desta página pode ser reproduzido a partir dos arquivos COTAHIST públicos da B3. Sugestão de citação:

InvestSimples (2026). 15 anos de opções da B3, medidos: prêmio de volatilidade, venda coberta e concentração do retorno. Disponível em https://investsimples.ai/pesquisa

Dúvidas sobre método, pedidos de dado agregado ou apontamento de erro: contato@investsimples.ai. Se você encontrar um erro na conta, queremos saber — a página é corrigida e a correção fica registrada.

Isto é pesquisa educacional, não recomendação. Nada aqui é indicação de compra ou venda de qualquer ativo, e desempenho passado não garante desempenho futuro. O InvestSimples não é corretora, não movimenta dinheiro e não faz consultoria de valores mobiliários. Toda decisão é sua, na sua corretora, por sua conta e risco.

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